Morrer:
No conceito baseado no Espiritismo o Espírito se ausenta de uma condição – de encarnado (vivendo no corpo) – para retornar a situação primária que é a sua existência - despida do corpo físico – desencarnado.
Morre, pois, o corpo material, mas o Espírito se translada de corpo em corpo, de estágio a estágio evolutivo, no plano Terra ou em outros mundos, no processo progressivo de conhecimento até alcançar a plenitude da vida, na vitória da Imortalidade.
O ser humano que coabita a idéia do desencarnio, o Espírito que se educou para os labores da libertação carnal, encontra-se livre do corpo físico com mais facilidade na transformação celular advinda da decomposição celular, e liberação astral do perispirito; o mesmo não ocorrendo com aquele ser humano que transformou o corpo em reduto de prazer ou no catre das paixões de qualquer natureza.
Vive, portanto, como se tivesse a cada momento preparado para renascer além e após o túmulo. A vida que se leva é a vida que cada um leva aqui, enquanto na roupagem carnal.
Cada um constrói as asas de anjo com que se pode ascender a Verdade ou as amarras grosseiras dos grilhões que os levam a retaguarda do sofrimento.
A Gênese, capítulo XI, item 13
“Por ser exclusivamente material, o corpo sofre as vicissitudes da matéria. Depois de funcionar por algum tempo, ele se desorganiza e decompõe. O princípio vital, não mais encontrando elementos para a sua atividade, se extingue e o corpo falece. O Espírito, para quem, este, carente de vida, se torna inútil, deixa-o como se deixa uma casa em ruínas, ou uma roupa imprestável”.
O Evangelho seg. o Espiritismo, Capítulo XXIII, item 8.
“A vida espiritual é, com efeito, a verdadeira vida, é a vida normal do Espírito, sendo-lhe transitória e passageira a existência terrestre, espécie de morte, se comparada ao esplendor e à atividade da outra. O corpo não passa de simples vestimenta grosseira que temporariamente cobre o Espírito, verdadeiro grilhão que o prende a gleba terrena, do qual se sente ele feliz em libertar-se”.
O Céu e o Inferno – Capítulo II.
“A crença na Imortalidade é intuitiva, entretanto, a maior parte dos que nela crêem apresenta-se possuídos de grande amor as coisas terrenas e temerosas da morte”.
Porque este temor?
Este temor é efeito ou conseqüência do instinto de conservação comum a todos os seres viventes do plano Terra. Este instinto é o freio necessário que a Providência induz aos seres, a evitar deixar os mesmos, de maneira prematura a vida e a negligência ao trabalho evolutivo terreno, que servi ao próprio adiantamento espiritual.
A medida que o ser humano compreende a vida futura, o temor da morte diminui, uma vez esclarecida a missão do plano Terra, uma calma e a resignação lhe paira no ser. Antes do conhecimento da vida futura, o Ser se apega ao presente e após o conhecimento da vida existente após a vida, o mesmo vive para a sua melhoria, sem desprezar o conhecimento do presente, por saber que o presente e que de suas boas ou más ações é que lhe advém às conseqüências no futuro (Lei da ação e reação).
Para que o Ser humano se liberte do temor da morte é necessário penetrar no conhecimento do mundo espiritual. Atrasado o Espírito em relação a vida espiritual, a vida material prevalece sobre a outra, e o Ser humano apegado a matéria não distingue além da vida corpórea, que na maioria das vezes se apresenta desesperado e perdido. Ao contrário se concentrarmos os pensamentos não no corpo, mas no espírito imortal – Ser real – que a tudo sobrevive, choraremos menos as perdas do envoltório carnal, fonte eterna de misérias e dores.
O temor da morte decorre, pois, da noção nossa insuficiente de conhecimentos do plano espiritual, da vida futura (reencarnação), embora também seja a necessidade de viver e o receio da destruição total, ou seja, a incerteza da sobrevivência da alma.
Mas grandemente ocorre que o medo da morte, seja dado pelo ensino que nos é dado na infância, pelo quadro religioso, sendo nada sedutor e ainda menos consolatório.
· De um lado entes queridos contorcendo-se em torturas e chamas eternas os erros de uma vida passageira na Terra. Após sucessivos anos, ou séculos passados não há esperança a tais sofredores e nem se aproveita os arrependimentos que possivelmente possam ter.
· Almas combalidas as aflições no purgatório aguardando a intercessão dos vivos, que por elas orem, sem que elas próprias possam fazer o esforço de progredirem.
· Os eleitos do Senhor na contemplação da figura divina, por toda uma eternidade numa fatigante monotonia, sem nada de bom a produzir.
Este estado não satisfaz nem as aspirações, nem a idéia de progresso espiritual, única que se afigura compatível com a verdadeira felicidade.
Sendo Deus bondade infinita e imensurável não puniria seus filhos colocando-os sobre um sofrimento eterno, sem possibilidades de melhorias espirituais, somente sendo salvos pelo arrependimento, sem o equilíbrio das pendências mal resolvidas, em futuras oportunidades de reconciliação com aqueles a quem magoou ou que foi por eles magoado.
A reencarnação é a Lei Justa do Pai; e a oportunidade do Ser novamente se colocar no plano terreno a disposição de controlar as tendências negativas da personalidade, a procura da sua progressão Espiritual, do AMOR fraternal, em todas as Eras da Humanidade.
O Ponto de Vista: Os que acreditam na vida futura e os que acreditam que tudo se acaba com a morte
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